Principais problemas que o carro elétrico pode apresentar
Quais os reais problemas dos carros elétricos no Brasil? Entenda os desafios da infraestrutura de recarga, a autonomia real e como planejar viagens longas. Saiba mais!
Dentre os problemas que os carros elétricos podem apresentar, a grande maioria pode ser evitada com medidas preventivas, e ter seus danos consideravelmente reduzidos fazendo um bom uso do veículo.
Com o objetivo de explicar os principais desafios e limitações dos carros elétricos no Brasil, redigimos um artigo focando em questões práticas como autonomia real da bateria (e sua degradação), tempo de recarga, a ainda insuficiente infraestrutura de eletropostos no país e problemas relacionados ao clima (queda de desempenho em temperaturas extremas).
Também vamos analisar como essas limitações impactam o dia a dia dos proprietários e condutores de veículos elétricos, principalmente durante as viagens longas, que geralmente exigem um planejamento mais cuidadoso.
Quais são os principais problemas dos carros elétricos?
Os problemas que os carros elétricos podem apresentar são uma infraestrutura de recarga da bateria ainda considerada insuficiente, pois o tempo de carregamento por ser maior do que um abastecimento em postos com combustíveis fósseis faz com que haja uma espera para conseguir recarregar seu veículo em eletropostos.
O alto custo de compra é um dos problemas com a compra dos carros elétricos, bem como o valor das manutenções e reparos, que são maiores, mas em compensação exigem menos revisões, e possuem um número de componente a substituir menor.
A bateria é o componente mais caro dos veículos eletrificados, e sofre uma perda de potência natural, perdendo de 10% a 20% da sua autonomia no decorrer dos anos, além de sofrer mais impacto no seu funcionamento em temperaturas extremas, por isso é recomendado que o carro elétrico seja estacionado na sombra ou em garagens.
O peso extra do veículo elétrico aliado ao seu alto torque contribuem para maior desgaste dos pneus, e há de se considerar também a depreciação na hora da revenda no mercado de seminovos e usados, que vai depender de como foi tratado e cuidado, apresentando um valor muitas vezes incerto.
Autonomia da bateria
Um dos fatores mais importantes para quem vai comprar um carro elétrico, zero ou seminovo, é a autonomia da bateria e tudo pertinente a este componente.
Autonomia real vs. autonomia divulgada
A autonomia de uma bateria normalmente não reflete a realidade de uso, pois alguns fatores não são levados em conta nessa medição. Em primeiro lugar é preciso levar em conta que acessórios como ar-condicionado, uso de streamings no display, peso do veículo, velocidade elevada, tipo de terreno a rodar influenciam diretamente no consumo de energia, então vale se atentar a esses fatores antes de programar as paradas para carregamento.
Impacto do trânsito, peso e estilo de condução
O veículo elétrico é extremamente propício para rodar em perímetros urbanos, pois o anda e para do trânsito das cidades potencializa a frenagem regenerativa, que libera energia para carregamento da bateria, otimizando sua autonomia.
Os veículos elétricos são mais pesados, o que proporciona uma maior estabilidade em curvas, porém exige que os condutores realizem a frenagem com uma distância maior do carro a frente, pois há alteração na inércia.
O modelo de condução que otimiza a autonomia da bateria do veículo elétrico deve ser suave, de forma a evitar tanto acelerações quanto freadas bruscas, já que consomem mais energia. Os modos ECO e Normal ou Sport maximizam a autonomia ou valorizam a potência respectivamente, permitindo que o condutor opte pela potência ou eficiência.
Redução da autonomia com o tempo
Outro fator a ser considerado é a degradação da bateria no decorrer dos anos e do seu uso. Com o passar do tempo é muito provável que a sua autonomia seja reduzida, de 10% a 20% depois de aproximadamente 10 anos rodando.
Tempo de recarga
Um dos problemas com carros elétricos é o tempo de carregamento da sua bateria, que quando comparado com o abastecimento de veículos que funcionam à combustão representa uma grande mudança nos hábitos e na rotina.
Diferença entre recarga rápida e convencional
Há uma diferença abissal entre o carregamento convencional e o rápido, pois nos carregamentos em wallbox, como em condomínios ou residências, o tempo pode ir de 2 a 20 horas, o que pode representar um período extenso de tempo do veículo parado.
Já os carregamentos semi rápidos e rápidos podem durar de 25 minutos a 4 horas, o que representa muito mais velocidade para quem depende do carro para deslocamento ou para uso profissional.
Tempo de recarga em casa
O tempo de recarga em residências vai de 3 a 15 horas, e a recomendação é realizar o carregamento durante a madrugada, pois normalmente é o horário de descanso, e em muitas cidades neste período é utilizada a bandeira branca, onde o valor do kWh é menor.
Impacto da recarga no dia a dia do motorista
Os condutores e proprietários de veículos elétricos precisam se adaptar ao novo modelo de “abastecimento”, já que o tempo gasto no processo é bem diferente do que é usado em postos de abastecimento de combustíveis fósseis.
É necessário integrar à rotina esse processo, e ele pode ser feito de diversas formas. Quem tem um ponto de carregamento em casa, pode deixar o carro carregando nos períodos de descanso.
Já quem precisa utilizar os eletropostos deve estabelecer uma rotina de carregamento, e optar pelos locais e horários onde o movimento seja menor, e não atrapalhe sua agenda diária.
Infraestrutura de recarga no Brasil
Essa questão é por muitos considerada um dos mais importantes problemas com carros elétricos, pois o número de pontos de recarga ainda está aquém do necessário para atender ao aumento desse tipo de público.
Falta de eletropostos fora dos grandes centros
A grande maioria dos pontos de carregamento de carros elétricos se encontra nas partes mais urbanizadas da cidade, onde a concentração de pessoas e, consequentemente, de carros é maior., o que pode complicar um pouco a vida de pessoas que vivem longe dos grandes centros e possuem ou pensam em comprar um veículo elétrico.
Problemas de padronização de conectores
Como existem diversos tipos de conectores, nem sempre os eletropostos disponibilizam todos os modelos, o que pode acarretar determinados grupos de condutores e proprietários a encontrar maior dificuldade em localizar pontos onde seja possível realizar o carregamento da bateria.
Dependência de aplicativos e redes privadas
Para quem tem carros elétricos e não conta com infraestrutura de carregamento em casa ou no condomínio, é necessário utilizar aplicativos que informam, baseado na localização do carro, os pontos de recarga mais próximos.
Um dos problemas com carros elétricos é a dependência de redes privadas de carregamento, o tempo de espera para conseguir realizar esse processo e o custo do kWh, que é maior que o do carregamento caseiro.
Vida útil e degradação da bateria
Uma das considerações mais importantes para quem vai comprar ou é proprietário de VEs é a bateria e sua vida útil, pois ela é o componente mais caro do carro.
Como a bateria se desgasta ao longo dos anos
Assim como os demais componentes do veículo, a bateria apresenta uma degradação natural em razão do seu uso ao longo dos anos, mas, as baterias mais modernas são projetadas para ter uma duração maior, que muitas vezes é maior do que a do próprio veículo.
A durabilidade média das baterias vai de 12 a 20 anos, dependendo de como é tratada. A taxa de degradação média por ano pode variar de 1,8% a 2,3%, e sua capacidade de manter uma alta performance até 8 anos de uso.
Fatores que aceleram a degradação
Alguns fatores aceleram a degradação da bateria dos carros elétricos, um deles é o uso frequente dos carregadores super rápidos, os DC, bem como a exposição constante as temperaturas acima de 30° também contribui para acelerar o desgaste.
Outro fator que reduz a vida útil das baterias é quando a carga é mantida em 100% ou 0% com frequência, já que a indicação é regular entre 20% e 80%. Convém também evitar um estilo arrojado de condução, com freadas e acelerações bruscas, que aumentam o calor da bateria, aumentando seu desgaste.
Manutenção preventiva
A falta de revisões preventivas também pode se tornar um problema para carros elétricos e sua bateria, então a dica é seguir as instruções do manual do proprietário, respeitando o tempo e a quilometragem indicadas para a realização das manutenções preventivas.
Problemas relacionados ao clima e temperatura
Outros problemas com carros elétricos e sua bateria são as temperaturas extremas.como mostraremos a seguir:
Queda de desempenho em temperaturas extremas
Assim como as temperaturas extremas contribuem para a redução da vida útil da bateria, o frio e calor excessivos também influenciam no carregamento e no consumo da energia armazenada.
Os climas com frio intenso e temperaturas beirando o negativo pode reduzir consideravelmente a autonomia da bateria, com redução média de 25%, mas em casos extremos podendo chegar a 50% de perda, pois a energia que a bateria gera para seu próprio aquecimento não é suficiente, aumentando o trabalho do componente para gerar calor.
Baterias expostas ao frio intenso demoram mais para carregar, e o calor extremo aumenta a velocidade de degradação do componente, e em alguns casos o software de gerenciamento de carga pode limitar o carregamento da bateria a no máximo 80% para protegê-la do superaquecimento.
Uso do ar-condicionado e impacto na autonomia
As temperaturas extremas impactam a autonomia da bateria de várias formas, desde o processo de carregamento e geração de calor, até a necessidade do uso de ar-condicionado e de aquecedores consome uma quantidade considerável de energia, reduzindo de forma considerável a autonomia da bateria, o que deve ser observado especialmente durante viagens, onde os pontos de recarga são menos frequentes.
Limitações em viagens longas
Um dos maiores problemas com carros elétricos são as viagens, e todos os cuidados e preparações necessárias para que tudo ocorra de forma segura e tranquila.
Planejamento excessivo de rotas
Os proprietários de veículos elétricos precisam realizar um planejamento antes de pegar a estrada em viagens, já que é necessário checar os eletropostos disponíveis no trajeto a ser percorrido e escolher as paradas, calculando o tempo de recarga, e os possíveis prazos de espera para poder utilizar o carregador.
Dependência de pontos de recarga disponíveis
Um dos cuidados dos condutores de carros elétricos é o mapeamento dos eletropostos, já que eles ainda são escassos, e podem apresentar fila de espera, o que pode atrasar bastante o período estimado de viagem.
Imprevistos durante o trajeto
Imprevistos em viagens acontecem com qualquer tipo de veículo, mas os proprietários de carros elétricos precisam tomar cuidados extras para evitar que sejam impactados por imprevistos no trajeto.
Caso o percurso seja maior que a autonomia da bateria, é necessário verificar as paradas para evitar ficar com o carro parado e ter que ser rebocado. Se o viajante tiver algum compromisso com horário marcado convém incluir no planeamento o tempo de recarga da bateria e possíveis atrasos, já que muitas vezes há fila de espera ou o conector disponível no eletroposto não é igual ao do veículo.
Além de verificar a existência e localização dos eletropostos, é fortemente recomendável verificar se ele está funcionando e o horário de atendimento. Inclua nos cálculos o uso de ar-condicionado ou aquecedor, pois eles consomem energia e reduzem a autonomia.