Uma classe que desenvolve e herda hábitos é a dos condutores, e o que não falta são manias de motoristas que podem ser prejudiciais tanto para os veículos e seus componentes, como também pode comprometer a segurança e a saúde.
Neste artigo o objetivo é conscientizar o motorista sobre hábitos comportamentais e vícios de direção que causam o desgaste prematuro de componentes mecânicos e eletrônicos. Manias muitas vezes imperceptíveis que podem acarretar em despesas inesperadas.
Para tanto, montamos um manual com os maus hábitos mais comuns e as soluções práticas através da ergonomia e da psicologia do condutor, permitindo aumentar a vida útil do veículo e reduzir gastos com manutenção corretiva.
Manias que detonam a transmissão e embreagem
Há uma série de maus hábitos desenvolvidos pelos condutores que podem gerar uma redução da vida útil de uma série de componentes do veículo, e essas manias devem ser combatidas para não gerar desgaste. Vamos conhecer alguns dos riscos.
Mão apoiada na alavanca de câmbio
Uma das manias mais frequentes dos motoristas é apoiar a mão direita na alavanca do câmbio. Em primeiro lugar pelo hábito de engatar a primeira marcha e dar a partida no veículo, e também para não manter as duas mãos no volante quando o carro está parado.
O problema é que com a pressão constante que a mão exerce no câmbio há um desgaste maior das hastes e das engrenagens internas da transmissão manual, e isso pode gerar ruídos e também folgas, por isso é recomendado que a mão só deve ir para a alavanca de câmbio no momento de engatar a marcha.
Pé descansando no pedal de embreagem
Outro hábito que pode gerar problemas ao veículo é descansar o pé na embreagem, mesmo que seja um movimento leve. Essa pressão acaba por impedir o contato completo entre o disco e o platô, acarretando um constante atrito que gera
Segurar o carro na embreagem em ladeiras
Essa é uma prática recorrente para muitos condutores, segurar o carro em ladeiras utilizando a embreagem. O problema é que essa prática acelera o desgaste do disco, fazendo com que ele queime de forma mais rápida, por isso a solução é utilizar o freio de mão para conter o veículo.
Vícios que prejudicam a suspensão e os pneus
Há também outras manias que aceleram o desgaste da suspensão e dos pneus que podem facilmente ser evitadas para prolongar a vida útil do sistema de suspensão e dos pneus. Vamos mostrar o que deve ser evitado:
Passar em lombadas na diagonal
Um hábito muito frequente é colocar o veículo na diagonal ao passar por lombadas, com a crença de que será mais suave ou mesmo que o efeito na suspensão será menor, Ledo engano. Ao passar por uma lombada na diagonal a força aplicada ao chassi é bem maior.
Todos os componentes do sistema de suspensão também são prejudicados, pois quando uma das rodas sobe e a outra ainda está abaixo há uma torção na suspensão, e com o tempo isso não só sublinha o veículo, mas causa desgaste desigual e ruídos na cabine.
Os pneus também ficam sobrecarregados, pois o peso não é distribuído de forma uniforme, então o pneu que está a frente sofre mais, pois recebe uma carga concentrada e isso pode gerar o surgimento de bolhas, deformações e até mesmo rasgar. Dica: Passe reto e em baixa velocidade.
Existe porém uma exceção para essa “mania”, que são os veículos muito rebaixados e com a suspensão muito baixa. Nesse caso esse procedimento pode ser usado para evitar que o fundo raspe na lombada ao passar retp, mas deve ser feito muito cuidadosamente.
Esterçar o volante com o carro parado
Mais um hábito que prejudica o veículo é o de esterçar o volante com o carro parado, uma prática nociva, pois resulta no atrito entre a borracha do pneu e o asfalto, o que gera uma sobrecarga na banda de rodagem, nos terminais de direção, nas barras axiais e no sistema de assistência. Então a dica é deixar seu volante quieto.
Subir meio-fio para estacionar
Assim como as lombadas na diagonal, subir em calçadas ou mesmo prensar as rodas no meio-fio pode deformar a carcaça do pneus, causar bolhas e ainda desalinha a direção, o que leva à quebra da banda de rodagem.
Manias de motorista com câmbio automático: erros fatais
Apesar de muito mais práticos, os câmbios automáticos requerem maior atenção, e para evitar seu desgaste precoce, a melhor solução é evitar os hábitos prejudiciais. Vamos conhecer alguns deles:
Colocar em "P" antes do freio de mão
Um hábito frequente dos condutores de carros automáticos é colocar o câmbio no Parking, P, antes de puxar o freio de mão, e esse movimento precipitado causa sobrecarga na trava mecânica.
Quando a trava fica sobrecarregada há um desgaste antecipado dos componentes e o possível travamento da alavanca de câmbio, por isso os especialistas recomendam que somente depois do veículo parado, o freio de mão puxado, o motorista coloque o câmbio em P.
Engatar o "R" com o carro ainda em movimento
Outro vício que os motoristas de carros automáticos têm é, ainda com o carro em movimento, engatar o R, a marcha ré. Apesar dessa prática não trazer nenhum risco imediato, no decorrer do tempo, a realização constante desse movimento vai gerar um desgaste antecipado nos componentes, então somente com o veículo totalmente parado a troca para a ré pode ser feita.
Manias digitais: o uso incorreto da tecnologia em 2026
Os componentes digitais dos veículos trouxeram uma série de benefícios para os motoristas e demais passageiros, mas os cuidados com eles deve ser constante, pois são mais sensíveis e caros. Seguem algumas medidas de precaução:
Ignorar avisos de sensores
Os sensores dos veículos com instrumentos digitais estão lá para serem úteis, e seus alertas devem ser considerados. Muitas vezes os motoristas recebem um grande número de informações desses instrumentos, e acabam por não se atentar a todas.
Esse tipo de erro não deve ser cometido, pois em várias situações são esses alertas que impedem colisões, problemas mecânicos, e até mesmo colapso de sistemas, gerando um prejuízo maior e a parada do veículo para reparo.
Um exemplo é o sistema ADAS, pois quando não é utilizado da forma correta pode impactar o motor, acarretando riscos em carros semiautônomos, e é por isso que os fabricantes recomendam seguir as instruções do manual, para otimizar o funcionamento do equipamento.
Forçar o motor frio
O bom funcionamento do motor depende da circulação dos fluidos pelos seus componentes, e isso acontece à medida que ele esquenta depois de ligado. Quando o condutor acelera o veículo com o motor frio o lubrificante pode ser contaminado, o consumo de combustível aumenta pois a queima é mais lenta.
Então a dica dos especialistas é aguardar ao menos 30 segundos antes de colocar o carro em movimento, e nos primeiros quilômetros percorridos evitar tanto acelerações quanto freadas bruscas.
Hábitos de manutenção que são verdadeiras "ciladas"
O brasileiro tem alguns hábitos no cuidado com seus veículos que vêm de outras gerações, mas nem sempre essas práticas otimizam o funcionamento do veículo ou são, de fato, uma forma de economizar.
Rodar com o tanque na reserva
Muitos condutores esperam até o último suspiro de combustível para abastecer o veículo, mas nem sempre sabem que essa prática é nociva, pois o combustível tem papel importante na refrigeração da bomba de combustível.
Quando o motorista espera até ele acabar completamente a bomba trabalha superaquecida, e além de provocar sua queima, ela puxa todos os detritos acumulados no fundo do tanque e eles acabam indo parar no sistema de injeção.
Lavar o motor com jatos de alta pressão
Uma prática bastante comum e imprudente é a limpeza do motor com jatos de alta pressão, pois os motoristas querem que ele fique limpo da forma mais fácil, mas a força da água entra em todos os componentes, como nas bobinas, sensores e conectores elétricos.
Quando esses componentes entram em contato com a água uma série de problemas podem ocorrer, como falhas na central eletrônica, curto-circuito e fazer com que a ignição pare de funcionar. O modo correto de realizar essa higienização é com limpeza a seco.
A psicologia do condutor: como mudar esses hábitos?
Muitas práticas arraigadas podem ser modificadas, especialmente quando prejudicam o veículo. Dizem que os carros são uma extensão dos seus donos, da sua personalidade. E é preciso modificar esses hábitos, eliminar os gatilhos, para aumentar a vida útil do carro.
Como o trânsito desperta emoções nem sempre positivas, o motorista acaba por descarregar suas ansiedades e estresse na direção. Os especialistas recomendam que os condutores estejam sempre atentos à postura e suas manias dentro do veículo e busquem enxergar o carro como a máquina que ele é.
Dicas de ergonomia
Um cuidado que os motoristas devem se atentar é com a ergonomia, pois além de aumentar o conforto, ela é a responsável por evitar dores e o desenvolvimento de problemas crônicos. Vamos ver a seguir que medidas devem ser tomadas para uma postura correta no veículo:
Ajuste de altura e distância do banco
O ajuste de altura para o condutor é fundamental, e esse cuidado deve ser tomado principalmente em veículos compartilhados. A posição ideal permite ao motorista pisar até o fim dos pedais com os joelhos flexionados.
O motorista precisa, com as costas completamente encostadas no banco, esticar seus braços e o volante deve estar na dobra dos punhos, para que ao colocar as mãos sobre o volante os cotovelos estejam levemente flexionados.
Inclinação do encosto e apoio lombar
O encosto deve ser inclinado a um ângulo médio de 110°, nem muito reto ou inclinado demais, de forma a não precisar esticar totalmente os braços para acessar a ignição e o volante, tampouco impedir que os cotovelos fiquem muito próximos ao corpo.
Já para a proteção da coluna, ela deve ficar totalmente apoiada no encosto, nem afundando nem escorregando, de forma a ter uma visibilidade completa do capô do veículo, e o encosto deve ficar levemente inclinado, sem comprometer a colocação do cinto de segurança.
Posicionamento das mãos (regra 9h15)
A melhor maneira de colocar as mãos no volante é utilizando a posição conhecida como 9h15, assim como no relógio, pois esse posicionamento permite uma amplitude maior, o que garante mais controle, facilidade em fazer curvas ao cruzar os braços, é ergonômica e em caso de acidentes protege o rosto do volante e do airbag.
Altura do volante e visibilidade do painel
O banco deve permitir que os olhos estejam regulados com a linha central do para-brisa, se possível com ao menos um palmo de distância do teto para a cabeça do condutor. Os pulsos do condutor devem conseguir encostar na parte superior do volante mesmo com as costas coladas ao banco.
Se o volante for ajustável a visibilidade do motorista pode melhorar bastante, mas ainda que não seja possível modificar sua posição, o condutor precisa ter visão completamente desobstruída dos componentes importantes do painel, sem que o volante impeça a visibilidade.
O "descanso de pé" lateral
Mais uma das dicas benéficas de ergonomia para os condutores é utilizar o apoio para o pé, no chamado dead pedal, que mantém a postura estabilizada e a coluna alinhada. Retire seu pé do descanso apenas no momento de acionar a embreagem.



_025e4ace11f953cf759ce9754133202d.png)







