Tranco no carro ao trocar de marcha? Veja as principais causas e como resolver

Publicado: Wednesday, 04 de November de 2026 Última atualização: 04/11/2026 às 20:02

Carro dando tranco ao trocar de marcha? Veja o que causa os solavancos, desde coxins quebrados até embreagem desgastada ou fluido de câmbio sujo.

Marcha

No momento da troca de marcha pode ocorrer um tronco no carro, e isso se dá por diferentes razões, mas invariavelmente envolve algum tipo de falha ou imperícia do condutor ao pisar nos pedais.

Como esse é um tema de dúvidas recorrente, neste artigo você vai encontrar todas as respostas para suas dúvidas quanto ao tranco no carro. Vamos descrever as causas e os riscos que o tranco no carro podem causar.

Apresentaremos as falhas mecânicas e eletrônicas que provocam solavancos durante as trocas de marcha, explicar os riscos de “dar tranco” em carros manuais e automáticos, além de apresentar alternativas mais seguras para a partida, como a chupeta de bateria e o auxílio de partida portátil.

Por que o carro dá tranco ao trocar de marcha?

O tranco no carro ocorre por uma série de razões, que podem ser falta de cuidado do motorista e falhas em componentes importantes, como os que mostraremos a seguir:

Coxins do motor e do câmbio quebrados ou desgastados

Quando os coxins do motor e do câmbio quebram ou apresentam um desgaste além do aceitável o tranco no carro pode ocorrer ao trocar ou engatar a marcha, pois a força do torque promove uma movimentação maior, e esse balanço faz com que o metal do motor ou do câmbio se choque contra a carroceria promovendo um tranco no assoalho do veículo.

Desgaste no kit de embreagem 

Se o kit de embreagem apresentar desgaste em qualquer um dos seus componentes é bastante provável que o tranco no carro ocorra. Se for um problema como desgaste ou queima do disco de embreagem, o atrito do disco mais fino com superfícies irregulares faz com seu deslizamento se torne impossível, causando o tranco.

Caso o platô e sua mola estejam sem pressão ou empenados, a força (torque) não é distribuída de forma uniforme quando o condutor soltar o pedal da embreagem, fazendo com o que carro sofra um solavanco. As folgas no rolamento também causam trepidação durante a troca de marchas.

E por último, as falhas no volante do motor, o volante bimassa ou plano, podem acarretar trincas, pontos de maior calor ou desgaste excessivo, o que aumenta de forma considerável a possibilidade de tranco no carro.

Fluido de câmbio contaminado

Se houver contaminação no fluido de câmbio, o óleo da transmissão, ou mesmo se estiver fora do seu nível ideal ou velho, a pressão hidráulica fica alterada, causando problemas na lubrificação e ocasionando trancos no carro.

Sujeira no corpo de borboleta (TBI) 

O corpo da borboleta, ou TBI, pode ter em sua superfície partículas de vernizes, gomas e poeira, e isso pode causar descontrole do fluxo de ar que entra no motor, um descompasso na rotação (RPM) atrasando a resposta do motor, ou uma mistura de ar e combustível, e tudo isso pode gerar trancos no carro.

Falhas de ignição

Quando a ignição apresenta problemas, seja pela queima irregular de combustível, o engasgue do motor que gera sensação de perda de cilindro ou mesmo trepidação nas marchas mais lentas, o carro geralmente sofre com solavancos.

Quais as diferenças entre tranco em câmbio manual e câmbio automático?

As causas para os trancos em carros de câmbio manual e automático geralmente são diferentes, e ocorrem por problemas mecânicos e ineficiência do sistema. Os manuais costumam sofrer com tranco no carro em razão de erro humano, cabos desregulados, cozinhas com falhas ou desgaste do sistema de embreagem.

Já no caso dos carros com câmbio automático, a razão principal do tranco está ligada às possíveis falhas eletrônicas, hidráulicas ou desgaste nos componentes do sistema, como baixo nível ou envelhecimento do fluido, problemas no conversor do torque ou no corpo de válvulas. 

Como dar tranco no carro e quando essa prática deve ser evitada?

Uma prática relativamente comum quando os carros não pegam é dar um tranco, mas nem sempre essa medida é benéfica para seu veículo, devendo ser substituída por outros processos mais eficientes e seguros.

Para dar um tranco no carro é necessário virar a chave até a posição que acenda o painel do veículo, pisar na embreagem e engatar a 2° ou 3° marcha, onde o tranco é mais suave, e quando começarem a empurrar o carro solte o freio de mão e quando chegar a uns 15 km/h solte a embreagem rapidamente e pise levemente no acelerador.

Assim que o motor funcionar, pise novamente na embreagem para o carro não voltar a morrer. Mantenha o motor girando em aproximadamente 2000 RPM, acelerando levemente por cerca de uns 2 ou 3 minutos para carregar a bateria e criar uma estabilidade.

Os especialistas do Grupo AB recomendam fortemente evitar dar tranco no carro se ele for modelo CVT ou automático, ou se o seu motor for a diesel. Veículos com direção elétrica ou freio de estacionamento eletrônico também não aceitam bem essa prática.

Quais os riscos de dar tranco no automóvel para a mecânica e a eletrônica?

O tranco no carro pode representar um risco para seus componentes. Vamos ver abaixo quais podem ser as consequência dessa prática\;

Quebra da correia dentada

O tranco no carro geram um impacto inesperado na polia do virabrequim, causando maior esforço na borracha ou na corrente, o que pode acarretar o rompimento da correia dentada, ou mesmo fazer com que ela desencaixe e pule dentes, deixando o motor desregulado e podendo gerar a colisão entre válvulas e pistões.

Empenamento de válvulas do motor

Outra das consequências do tranco no carro é um possível empenamento das válvulas do motor, que pode ocorrer em razão da falha de sincronismo no motor. Quando a correia dentada arrebentar ou pula dentes depois do carro receber um tranco, os pistões se movimentam muito mais rápido e podem colidir com as válvulas.

Danos ao catalisador pelo combustível não queimado

Mais um dos riscos que o tranco no carro oferece é danos ao catalisador, o que acontece por causa do combustível que não é queimado.  No momento do tranco o combustível é injetado sem a centelha de ignição, e se o combustível não for queimado ele vai diretamente para o sistema de escape, e ao colidir com o catalisador quente, ele inflama e queima tudo à sua volta.

Picos de tensão no sistema elétrico

Para quem tem carro com sistemas eletrônicos o risco de dar tranco no carro é grande, pois há a possibilidade de haver picos de tensão no sistema elétrico, já que o alternador gira de forma abrupta quando o motor pega no tranco.

Quando isso acontece com a bateria descarregada há uma variação de energia muito brusca, e as centrais eletrônicas dos carros mais novos são extremamente sensíveis e podem queimar.

Queima de módulos eletrônicos de injeção 

Podem queimar módulos, sensores, fusíveis, destruir a central de injeção eletrônica, velas, bobinas, catalisador, enfim, o risco de danos é alto, e o custo de reparo e substituição somado à mão de obra é bem alto.

Quais são as alternativas seguras para quando o carro não pega?

Caso seu carro não pegue, exclua a possibilidade de tentar fazê-lo funcionar dando um tranco, e passe para as outras alternativas. A chamada “chupeta”, que consiste em ligar a sua bateria a de um outro veículo com o cabo de transferência de carga é uma das possibilidades. 

Utilizar um carregador portátil, ou um arrancador portátil de bateria, é ainda mais seguro do que fazer a chupeta, pois os aparelhos são protegidos contra possíveis inversões de polaridades e picos de energia.

Por último, caso nenhuma das alternativas acima seja viável, a solução é acionar a assistência 24 horas do seguro, ou um profissional de confiança que possa rebocar ou resolver o problema de forma imediata.

Cabe ressaltar que se ainda assim você optar pelo tranco no carro, se ele for de câmbio manual, dê preferência às descidas, onde o carro possa se mover de forma natural e no embalo conseguir fazer o motor funcionar.